Se o seu cão entra em pânico assim que você sai de casa
Esse som você já conhece. O choramingo que começa antes de o elevador chegar, o vizinho que comenta com gentileza. O pior é a culpa, porque não se consegue explicar a um cão que você vai voltar, e sair mesmo assim parece uma pequena traição, todas as manhãs.
O que uma tela pode fazer é encurtar a distância. Os primeiros vinte minutos são onde se concentra quase todo o sofrimento, e um cão que tem algo familiar na sala — os mesmos sons, sempre, começando antes de você pegar as chaves e não quando chega à porta — vive vinte minutos diferentes. Coloque com antecedência, saia sem cerimônia, e deixe tocar por mais tempo do que você vai ficar fora.
O que não pode fazer é tratar ansiedade de separação clínica. Se o seu cão se machuca, destrói batentes de porta ou não pode ficar cinco minutos sozinho sem entrar em pânico, isso é um problema de comportamento e precisa de um especialista em comportamento, não de uma televisão. Preferimos dizer isso a vender uma hora de vídeo como cura.
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Se o seu cão está entediado e desconta na casa
O rodapé mordido, a almofada desfiada, o sapato. Parece birra e quase nunca é: é um cão com mais capacidade do que o dia lhe pede, inventando um ofício para si. A culpa costuma cair sobre as raças de trabalho, mas qualquer cão com uma tarde vazia inventa alguma coisa.
A ordem honesta das coisas é primeiro exercício, depois estímulo, depois descanso — e uma tela só entra na segunda e na terceira. Num cão com energia física não gasta, nada do que você colocar vai ajudar: ele vai ignorar e voltar para a almofada. Depois do passeio, porém, algo para onde dirigir a atenção costuma comprar a hora em que ele desiste e dorme.
O que segura um cão assim é o movimento. Esquilos, pássaros, água — coisas que se comportam de forma imprevisível o suficiente para valer a pena seguir. O que é calmo não: o calmo fica para mais tarde, à noite.
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Se o seu cão é apavorado por trovões e fogos de artifício
O Ano-Novo é a noite que todo dono teme. Todos os anos os abrigos enchem de cães que fugiram. E o conselho que se costuma dar — ignore, para não reforçar o medo — está quase sempre errado: consolar um cão assustado não lhe ensina a ter medo.
O que é útil entender é que você não está tentando distraí-lo. Está tentando criar um cômodo da casa onde os estrondos chegam menos. Isso significa cobrir o som em vez de competir com ele: algo contínuo e grave, mais alto do que normalmente lhe pareceria confortável, começado bem antes do primeiro fogo e não depois. Um cão que já está escondido é muito mais difícil de alcançar do que um que estava tranquilo quando começou.
Dê a ele um lugar fechado onde ficar — debaixo de uma mesa, atrás de um sofá, uma caixa de transporte com a porta aberta — e não o obrigue a sair. Para cães muito afetados, fale com o veterinário bem antes dessa noite, porque existem medicamentos que ajudam de verdade e usá-los não é um fracasso.
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